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16/01/2017

Resenha: Jardim em Chamas

Heey peoples, tudo bem?

A resenha de hoje é do livro "Jardim em Chamas" do parceiro Gustavo Grossi. O livro retrata um tema muito polêmico, então, confesso que escrever essa resenha não foi nada fácil. Vamos lá!

Jardim em Chamas
Autor: Gustavo Grossi
Páginas: 526
Editora: Chiado
Nota: 💙💙
Onde Comprar: Chiado / Saraiva / Cultura
SINOPSE: Jardim em Chamas não é apenas mais um livro sobre a cannabis, mas um romance que descreve um mundo que está em chamas e mesmo assim com grande voracidade, a sociedade ainda empenha uma guerra contra essa planta, que traduz-se em opressão contra seres humanos, o fortalecimento do crime organizado, a consequente militarização da sociedade e o total repúdio ao potencial industrial, medicinal e econômico da cannabis que por si só poderia ser a solução para tantas crises ambientais, financeiras e sociais, as quais todos somos confrontados. Nesse romance sobre um mundo em chamas e cada vez mais totalitário, Togz e Frankz lutam por suas liberdades de dentro de um presídio de segurança máxima, na cidade do Rio de Janeiro, por terem cultivado a cannabis e logo aprendem que são eles que devem provar suas inocências e não o estado provar que são culpados. A inversão de um suposto direito democrático. Presenciam também o poder alienante que a grande mídia rege sobre a vida das pessoas e a inquietante e aterrorizante intromissão do estado na privacidade dos cidadãos, tanta vezes repetidas na história. Jardim em Chamas mostra-se uma obra mordaz que chega em uma época de maior aceitação da cannabis e de rápidas e bruscas mudanças.
"Precisamos ter mentes independenes que investiguem e não se baseiam em dogmas sem fundamentos e simples fofoca"
"Jardim em Chamas" é um livro que tem como tema central a cannabis, mas conhecida como maconha. Teremos a história de Togz e Frankz, respectivamente filho e pai que fazem uso da planta para obterem um estado de paz. O livro terá a mistura da ficção com passagens focadas nos benefícios, preconceitos e desafios para os usuários da Cannabis.

Togz foi o primeiro a ter contato com a planta. Ele conheceu-a quando fazia faculdade e começou a fazer uso por influência dos amigos. Depois de um tempo nos Estados Unidos, ele adquiriu conhecimento suficiente para cultivar a planta em seu apartamento, em uma espécie de estufa. Togz, como a maioria das pessoas, já chegou a considerar a cannabis como um mau disseminado pelo demônio.
De volta ao Brasil, Togz apresenta a planta ao seu pai e juntos, os dois começam a fazer uso e cultivar a cannabis.
"Os homens são muitas vezes estúpidos demais para perceberem as flores nos jardins ou os aromas de uma tarde de primavera"
No entanto, certo dia a polícia bate em sua porta e ao revistar o apartamento encontra a plantação, levando pai e filho direto para a delegacia. A polícia é implacável e não procura saber se ambos são realmente traficantes ou apenas usuários. Logo depois, pai e filho são transferidos para o presídio de segurança máxima em Xangu.
Na prisão, ambos sofrerão o pão que o diabo amassou, tendo que se adequar a vida naquele local. Do lado de fora, a mídia caiu em cima dos dois, condenando-os e fazendo do caso um grande reboliço.

Será que a polícia é realmente justa? Os usuários da cannabis são discriminados com razão? Pai e filho conseguirão ter um julgamento justo e sair desse inferno o quanto antes?
"A cannabis trazia paz, alegria, fome e uma forma de terapia que traz a desconstrução do ego. A cannabis tira a raiva do ser humano"
 

O livro toca em assuntos muito polêmicos em nossa sociedade. Falar de cannabis, injustiça do sistema judiciário e julgamento prévio é muito complicado, principalmente para mentes tão pequenas que desejam se permanecer trancadas. O autor foi muito corajoso ao escrever sua obra.

Temos no livro uma visão geral de como surgiu a cannabis, quais as sensações que ela proporciona ao usuário e quais os seus benefícios. É citado como benefício a paz interior, um bem estar e possíveis curas para a AIDS e câncer. Esses dois últimos tópicos, para mim, soavam como muito fantasiosos, mas ao realizar uma pesquisa rápida na internet, encontrei matérias sobre isso no Jornal O Globo em 2014.
"O universo e a natureza estão no controle de tudo. É só deixar fluir"
"Jardim em Chamas" é narrado em terceira pessoa e no começo do livro o autor deixa claro que na sua opinião o mundo é dominado pelos Illuminates. Os Iluminados são um grupo de pessoas que desejam dominar todas as ações das pessoas, usando de alguns fatos para realizarem uma espécie de lavagem cerebral e apagando certos acontecimentos de nossa história.        
A mídia também é tratada como sensacionalista e a maior culpada de realizar a lavagem cerebral. É citado como a mídia sensacionalista consegue influenciar as pessoas e aliená-las em determinada direção, não importando-se em mostrar o outro lado da história.

Sabemos o quanto a cannabis é motivo de preconceito em nosso país. Um usuário da planta é logo considerado um drogado ou traficante. Em outros países, como a Holanda (onde o índice de IDH é um dos mais altos do mundo) a planta é legalizada e o uso é feito nas ruas, desde que não ultrapasse limites pré-estabelecidos. 
O livro tem o objetivo de levantar exatamente essa questão: por que a cannabis não é legalizada no Brasil?
"O político brasileiro só estava interessado no seu mandato de 4 anos. Assim a sociedade brasileira continuaria estar em um estado permanente de guerra civil"

   
Outro ponto levantado pelo autor é em relação ao preconceito social. Um pobre quando faz uso da cannabis é logo banalizado, enquanto que os ricos fazem uso constante e com eles não ocorre nada.
Essa situação fica explícita quando vemos o que aconteceu com Togz e Frankz. Pai e filho não eram traficantes, não repassavam o que plantavam, apenas faziam uso, mas por não possuírem uma posição na alta sociedade foram presos mesmo sem provas. Será que esta situação já não aconteceu outras vezes? Por que julgamos as pessoas pelas coisas que apenas vemos pela mídia?

A edição do livro deixa a desejar, pois pela quantidade de páginas o livro deveria ser melhor, pois é muito pequeno, ficando rechonchudo e isto complica a leitura. Outra coisa que pode ser melhorada é o fato de o autor ficar sempre remoendo o mesmo assunto, e algumas páginas não passam de repetições. Eu entendo que o objetivo disto era fixar a ideia, mas não seria esse um meio igual ao da mídia? Repetição para dominar mentes?
"O dogma não permite um debate imparcial e justo. O dogma limita a mente humana"
A intenção do livro é provocar questionamentos e reflexões que envolvem a cannabis, o sistema prisional e o que é divulgado pela mídia. Eu consigo enxergar os dois lados: o dos que proíbem e o dos que buscam a liberação da planta. Os que proíbem possuem como maior argumento o país nada desenvolvido que temos, então a liberação pode acabar piorando a situação. Quantos aos que buscam a liberação, usam os casos de sucesso para basear-se, além dos possíveis benefícios medicinais.
Acabei a leitura do livro não tendo um lado definido, então minha opinião não foi mudada em relação a planta. Quanto a justiça do nosso sistema presidiário, realmente refleti; e quanto a mídia a reflexão foi maior ainda!

É tão fácil julgar quando não estamos naquela situação, mas o difícil é aprender a olhar todos igualmente. Nem todos que fazem uso da cannabis são bandidos, nem todos que são designados para nos proteger nos protegem e principalmente, nem todas as informações que nos são passada são reais.
Esse livro é para aqueles que possuem a mente aberta e que estão dispostos a ver um outro lado da história. Não é uma leitura fácil e nem simples!
"Enquanto os ricos no Brasil se esbaldam com as drogas de suas escolhas, os pobres são presos com a mínima quantidade, sendo acusados de traficantes"
Obrigado ao Gustavo, no fim me fez enxergar outros núcleos da nossa sociedade!


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"Sim, a Terra está em chamas. Mas, acima de tudo são chamas mentais e espirituais"

Beijinhos da Lice
Alice Martins

Oie! Sou a Alice, tenho 28 anos, sou Mestra em Engenharia de Produção, Pós-graduada em Revisão de Texto e Graduanda em Letras pela UFPE. Leio todos os gêneros literários, mas tenho um apego pelo romance (dramático, dark e hot) e pelo suspense. Sou viciada em música, série e açaí. Atualmente, trabalho com revisão literária e tenho um podcast de true crime/suspense com uma amiga. Me acompanhe nas redes e venha compartilhar amor comigo!




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