[Resenha] Diário de um fela da puta - Andrews Meireles

Olá amores, tudo bem?

Essa foi uma leitura que me surpreendeu demais, então é claro que não podia deixar de trazer minha opinião pra vocês!

Diário de um fela da puta
Autor: Andrews Meireles
Páginas: 236
Onde comprar: Amazon
Nota: 
*Livro do acervo da blogueira
  Possui linguagem imprópria e cenas de sexo

SINOPSE: 
Era uma vez um solitário rapaz que usou sua melancólica companhia para escrever um livro. Querendo esconder-se atrás das verdades ele resolveu trajar o Eu lírico da forma mais absurda possível, sem pudor nas entrelinhas, sem medo de se expor, sem timidez da própria vergonha, vestindo o drama e relatando acontecimentos reais e imaginários, como se fosse um sonho maluco fora de controle, o seu sonho, a sua fantasia mais próxima da realidade, em uma série de poemas e contos pornográficos, sacanas, íntimos e tristes.
Aqui apresento meu querido diário, o “DIÁRIO DE UM FELA DA PUTA”, com narrativas envolvendo temas com sexo, quantidades absurdas de álcool, um pouco ou nenhum amor, bem como morte; formando uma mistura chacoalhada de sentimentos, lembranças e emoções, algo tão intrínseco, quanto o meu velho coração de ferro, que derreteu e virou líquido.
Eu mostrei esse diário a uma amiga, que leu tudo em apenas uma madrugada. Eu estava o tempo todo lá, quietinho na minha doce agonia, escutando Belchior, Oswaldo Montenegro, Los Hermanos, músicas que palpitavam a alma, eu estava lá, em meu estado bruto, transbordando em uma taça de vinho para aliviar a dor, olhando fixamente a capa de um livrinho de Neruda que não cheguei nem a abrir. À medida que a leitura se desenrolava, ela sorria, me chamava de “felá da puta desgraçado”, despertando a ira, e, por termino, ela chorou, me dando o abraço mais longo que eu já recebi na vida.
Minhas histórias, em alguns momentos, podem até serem engraçadas, mas, no fim, não são nada agradáveis, são deletérios que não seguem os padrões suaves e harmônicos das comédias românticas, essa tragédia dramática, que é minha estória, agora sem “H”, tem uma fragrância terrível da loucura dos homens, de algo que não é fácil escrever, muito menos publicar.
Neste livro vamos conhecer a vida do eu lírico através dos seus relatos em seu diário. A obra é dividida em quatro partes, e em cada uma desvendamos melhor seus sentimentos e conseguimos montar uma imagem mais completa do mesmo.

"Não gosto de nada que adoce ou disfarce minha vida amarga, ela simplesmente tem que ser do jeito que é."

Misturando poemas com contos, esse é um livro para ser apreciado aos poucos e para ser lido com a mente aberta. Em hipótese alguma você deve sentenciar o personagem pela primeira parte da obra, pois ela é apenas o pontapé inicial para o conhecermos.


Essa foi uma leitura que iniciei sem saber o que iria encontrar, mas me surpreendi demais com o conteúdo. De maneira crua e impactante, o eu lírico nos conta suas histórias sem nenhum pudor. O leitor, muitas vezes, vai se sentir enojado e com raiva das atitudes dele, mas isso só contribui para a leitura se tornar chocante.

"Aprendi que as pessoas são apenas passageiras, pois todos os inícios são fadados ao fim, e todo o amor que tive só foi bom porque doeu."

O personagem mostra sem cortes seus pensamentos em várias fases da sua vida, expondo seu desprezo pelo politicamente correto e escancarando sua opinião sobre as mulheres, que eram vistas como um mero objeto para ele.

Os sentimentos que esse livro causa são os mais diversos possíveis, e muitas vezes me vi na corda bamba, sem saber se deveria odiar, amar ou ser indiferente ao personagem. Confesso que apesar de ter terminado essa leitura uns dias atrás, ainda não consegui definir completamente minha relação com o personagem, mas posso afirmar que senti sua dor em várias passagens, principalmente no final da narrativa.

"Não é o tempo que nos torna sábios, é a dor!"

Creio que muitas pessoas vão enxergar alguém através das atitudes do personagem, pois é mais comum do que imaginamos nos depararmos com pessoas assim. 
Vale ressaltar que o livro possui cenas fortes e de sexo, então já leia sabendo o que irá encontrar.

"Hoje eu sei, e aconselho, não procure alguém que lhe traga alegria, procure alguém que lhe entenda na sua tristeza."

Diário de um fela da puta é uma leitura obrigatória para quem deseja ter os sentimentos aflorados. Com uma escrita simples, porém desconcertante, e esse jogo de contos e poemas muito bem empregado, o Andrews nos surpreende com seu linguajar impróprio e sem papas na língua. Não espere se deparar com um mocinho nessa leitura, mas prepare-se para refletir sobre muitas coisas e levar alguns tapas na cara. Em algum momento, todos seremos felas da puta, mas cabe a nós decidirmos o que faremos a seguir.

Beijos da Lice

9 comentários

  1. É um livro que mostra que o personagem estava querendo esconder-se das verdades, isso muitas vezes acontece com as pessoas, é um livro que faz refletir, bjs.

    ResponderExcluir
  2. Pela sinopse e pela resenha é um livro bem diferente e instigante, dica anotada.

    ResponderExcluir
  3. Oi
    Eu adorei a sugestão 🙂 ainda não conhecia o trabalho do autor é bem interessante

    ResponderExcluir
  4. Parece ser um livro reflexivo, onde podemos até ter empatia, como vc mesmo nos contou que sentiu as dores do personagem. Muto boa a resenha como sempre.

    ResponderExcluir
  5. Olá Alice!
    Gostei muito da resenha e da sua opinião sobre essa leitura. É interessante o fato do autor usar um linguajar impróprio para narrar suas histórias. Fiquei curiosa!
    Bjs!

    ResponderExcluir
  6. Oi Alice, tudo bem? Já tinha ouvido falar do livro mas não cheguei a ler a sinopse. Fiquei pensando... se tivéssemos a oportunidade de escrever ou falar tudo aquilo que pensamos de verdade e sem puder talvez fizéssemos como o protagonista. Na maior parte do tempo usamos "filtro" e nos contemos frente a certas situações. Mas seria bom conhecer as pessoas verdadeiramente concorda? Um abraço, Érika =^.^=

    ResponderExcluir
  7. Quem de nós nunca fez coisas tentando camuflar nossos sentimentos? Acho que vou gostar desse diário ...

    ResponderExcluir
  8. Oi Alice, tudo bem?
    Eu não sou o público alvo desse livro. Mas gostei de saber da forma como o personagem é retratado, me pareceu bem real e cru. Com seus sentimentos expostos nos agradando ou não. As vezes, precisamos levar alguns "tapas na cara" nas leituras que fazemos para refletir sobre o mundo em que vivemos.
    beijinhos.
    cila.

    ResponderExcluir
  9. não seremos todos personagens neste mundo?

    bem adorei a sua sugestão ainda não conhecia este autor nem a sua obras, mas identifiqueime muito com a historia dete rapaz .

    beijos

    ResponderExcluir