[Resenha] O Filho de Osum - Decio Zylbersztajn

Olá leitores, tudo bem?

Hoje é dia de resenhar um livro que me surpreendeu, uma história que todos deveriam ler por abordar temas diversos e não apenas os ofícios do Candomblé, como sugere o título.

O Filho de Osum
Autor: Decio Zylbersztajn
Páginas: 192
Editora: Reformatório
Onde comprar: Amazon
Nota: 
*Livro cedido em parceria com o autor
SINOPSE: O título deste livro pode induzir o leitor a esperar uma narrativa sobre os ofícios do candomblé e a magia do brasil profundo, com as suas frustrações e esperanças. Mas, o tema predominante, ou fundador deste livro é a invasão nazista na holanda, suas consequências sociais e econômicas, seus efeitos morais (deformação de caráter) e o viés político (resistência). A segunda guerra tem sido motivo de ensaios eloquentes, e duma ficção trágica, mas isso não intimidou Decio Zylbersztajn ao eleger o seu ângulo de visão com nitidez, poesia e verdade, dando temperamento e voz a vítimas anônimas da catástrofe. Nada como o cenário destrutivo da guerra para moldar a ética da sobrevivência. Esse é o assunto deste livro.
Em plena Segunda Guerra Mundial, Anna Lea deixou Ede-Wageningen, na Holanda, em rumo ao Brasil. A jovem judia de 18 anos tinha passado os últimos meses com a família Litvak, e o filho deles, Jos, tinha acertado a viagem dela para o Brasil, onde teria um "noivo" a esperando ao desembarcar em Santos. A única coisa que ela levava desse período de guerra eram seus livros e o novo começo de vida que ela pensava que teria, foi desfeito logo no navio, quando foi violentada.

Enquanto Anna Lea chegava ao Brasil para recomeçar sua vida com novas marcas, Jos Litvak continuava na Holanda realizando seus negócios. Ele passou a embarcar mais jovens que desejavam se refugir na América do Sul, principalmente no Brasil, e em paralelo participava de uma resistência com Cornelius, dono de embarcações que tinha certa "liberdade" em navegar pelos mares entre a Antuérpia e Rotterdam. 
"Por treze anos de trabalho no bordel foram os livros que me salvaram."
Jos Litvak era visto como um herói, mas não sabiam que, na verdade, ele era um ser inescrupuloso, capaz de fazer qualquer coisa por dinheiro. Uma das moças que Jos enviou para o Brasil em tais condições foi Deborah Levi. Ele se encantou pela jovem, a levou para a cama e prometeu-lhe ir junto para o Brasil, mas no fim a abandonou e ainda roubou-lhe seu dinheiro.

Neste ínterim, Anna Lea acabou administrando um bordel, pois era sua única forma para sobreviver. Porém, ela não deixou seu amor pelos livros de lado, ainda venerava a literatura. Ela tinha a ajuda de Preta Lina para realizar os serviços do bordel, uma negra filha de Osum; e Egídio, um delegado que lhe ajudava com as questões políticas para manter o local de pé. 

Quando Jos precisa sair da Holanda, é Anna que ele procura. O que a vinda dele ao Brasil acarretará para todos?


Ler histórias que se passam durante o período da Segunda Guerra Mundial é sempre um deleite, pois somos capazes de ver as situações por outra ótica. Nesse caso, iremos ver como o caráter de um homem pode ser corruptível e como a guerra acabou moldando a vida de muitas pessoas, principalmente socialmente.

Anna Lea teve todos os seus sonhos despedaçados, pois ser uma meretriz em São Paulo em uma época, de certa forma, conservadora, lhe impedia de conviver em sociedade como outrora desejava. Por tal situação, a mulher era inclusive "impedida" de participar de tradições judaicas. 
Jos Litvak é um homem que causa asco. Todas ações dele durante a narrativa são moldadas por seu desejo de poder, não importando se para isso ele tenha que enganar ou roubar.
"Que mundo fomos capazes de construir? As pessoas perderam o direito de pensar livremente, ter livros em casa pode ser perigoso. Vejo ideias e notícias falsas correrem de boca em boca até virarem verdades."
O autor trouxe a questão dos orixás através de Preta Lina, filha de Osum. Teremos pequenos momentos trazendo um pouco da religião do Candomblé, mas eles foram bem feitos e serviram para explicar algumas coisas interessantes. Isso é bom para quebrar certos preconceitos das pessoas em relação as religiões de origem africana. 

Um dos pontos que mais gostei nesse livro é o fato de acompanharmos a vida desses personagens de forma leve, já que vamos passear durante os anos com eles. É interessante ver como cada um deles foi moldado pela guerra e que consequências isso teve no decorrer do tempo. 
O leitor vai sentir empatia por alguns personagens, raiva por outros e no fim vai ficar satisfeito por toda a história construída, pois acima de tudo é uma história com traços bem verídicos. 
"Nossa intenção pacifista, de convívio entre diferentes, não sobreviverá no quadro que vejo desenhado no mundo de hoje. As pessoas não aceitam as diferenças."
Nesta narrativa vamos embarcar em um período mundial trágico, porém vamos ver um grupo sendo resistência e tentando sobreviver em meio as tragédias. Isso nos traz esperança e a mensagem de que sempre devemos ser resistência ante as injustiças.
Mesmo que o mal existente dentro dos homens se sobreponha, ainda é preciso lutar contra e acreditar em uma possível mudança. Uma história que aborda questões morais, sociais e políticas, tudo de forma ponderada e reflexiva. O Filho de Osum é um livro sensacional, apenas!

Beijos da Lice

7 comentários

  1. Que livro emocionante! Dizer que o quero é pouco rsrs'
    Juntar dramas, Segunda Guerra, Culturas diferentes, Violência e romance, mesmo que seja pouco... É dizer pra eu me apaixonar. Eu estou muito curiosa e definitivamente sonhando acordada com esse livro.
    A resenha está muito boa!
    Jardim de Palavras

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  2. oi!
    Que interessante :D eu adorei a temática do livro, estou bem curiosa...

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  3. Gostei da temática do livro e por abordar diversos assuntos interessantes . Ótima dica de leitura .

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  4. Que livro lindo. Eu amo histórias assim de resistência, de luta porque está bem perto da nossa realidade sabe.. me encanta mesmo. Ainda não tinha visto esse, mas já quero lê-lo.

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  5. Fiquei empolgada com a sinopse, tantos assuntos interessantes juntos em um mesmo livro, achei fantástico! Fiquei encantada com a força da Anna Lea com nojo do Jos!

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  6. Pareceu muito interessante. Boa dica de leitura.

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  7. Oi,tudo bem ?

    Primeiramente só por conhecer o seu ponto de vista e saber que achou sensacional...já diz tudo. Com toda certeza é uma ótima dica de leitura. Gostei bastante do gênero, da proposta e as questões levantadas são importantes, deixando a obra mais rica.

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