[Café com a Lice] Entrevistada: Barbara Sena


Olá amores, tudo bem?

Hoje trouxe para vocês mais uma entrevista. Dessa vez com a autora Barbara Sena, do livro A Fogueira da Bruxa, que inclusive sairá resenha em breve (essa semana). Espero que gostem!

Vamos conhecer a Barbara primeiro:

Sobre a autora: É graduada em Publicidade e Propaganda, e graduanda de Letras. É apaixonada pela arte em todas as suas formas, mas foi através da literatura que conseguiu traduzir suas ideias em algo que pode fazer diferença no mundo, mesmo que de uma forma pequena. Tem uma mania irremediável de ler o último parágrafo do livro antes do primeiro capítulo, o que às vezes causa arrependimentos severos.


Agora, vamos a entrevista:

1- Primeiramente, muito obrigada por ceder um pouco do seu tempo para essa entrevista no Gnoma. É um prazer te ter no Café com a Lice
Então, como surgiu a literatura na sua vida? 
R- Eu que agradeço o convite! A literatura surgiu na minha vida quando eu era muito nova... Quando eu tinha aproximadamente seis anos, meu pai me trazia alguns livros que ele comprava em sebos, livros de série Escolha sua Aventura, ou Enrola e Desenrola. Com esses primeiros livros de aventuras infantis eu me apaixonei para a vida inteira. 

2- Imagino que a escrita seja algo intrínseco para o autor. Como você se “descobriu autora”? 
R- Eu acredito que quando você lê muito, em algum momento você vai se perguntar se conseguiria fazer aquilo tão bem quanto seus autores favoritos. E algumas ideias aqui, outras ali, um pouco de força de vontade para começar e é isso. Não tive um momento específico de descoberta, sempre tive facilidade de escrever na escola, e muitos anos depois, resolvi liberar minha criatividade para além de redações, expandi minha criação para contos e livros onde havia mais liberdade. Acho que o sonho de ser autora foi algo mais palpável do que a descoberta. 

3- Todos temos inspirações, seja qual for a nossa área de trabalho. Quais foram os autores que te inspiraram/inspiram? E quem é seu(a) autor(a) preferido(a)? 
R- Os autores que me inspiram muito por razões diferentes são o Bernard Cornwell, Carlos Ruiz Zafón e Ariano Suassuna. Destes, o meu favorito é o Bernard, porque ele escreve ficção histórica inglesa e faz críticas muitíssimo interessantes e que mudaram meu jeito de ver o mundo conforme minha adolescência foi passando e eu lia seus livros. E por causa dele, eu decidi fazer o mesmo com a minha literatura, trazer a ficção histórica (que é meu gênero favorito) com a crítica à sociedade atual para mostrar que ainda cometemos os mesmos erros. 

4- Você tem alguma mania quando vai escrever? Como é seu processo de escrita? 
R- A minha única mania real é colocar um tipo de música que tenha a ver com a cena. Por exemplo: se eu vou escrever uma cena soturna, ouço músicas sombrias. Quando escrevi cenas na igreja ouvia canto gregoriano e assim por diante, ajuda muito a entrar no clima e se imaginar dentro da cena. Eu não tenho um ritual por assim dizer, no meu tempo livre busco informações que possam agregar na história e através delas meu cérebro vai maquinando até surgir uma nova cena, que anoto para não esquecer (importantíssimo!) e quando tenho tempo livre, sento e deixo as ideias fluírem. 

5- Seu primeiro livro traz um tema interessante, as bruxas. De onde surgiu a ideia da obra e qual foi a maior dificuldade na hora de escrever? 
R- Eu sempre gostei de histórias de bruxas, quando eu era criança haviam revistinhas e filmes que estavam na moda e isso me influenciou muito. Na adolescência comecei a estudar a bruxaria (ela existe gente, mas não como se diz por aí) e com o conhecimento acumulado, a maneira como as bruxas são retratadas na mídia de entretenimento, começou a me incomodar bastante, porque eu sei que não são más e quase todos os filmes e livros as retratam assim. Um dia eu estava vendo “O Último Caçador de Bruxas”, e achei o Vin Diesel caçando bruxas a gota d’água hahaha. Então pensei como seria interessante se alguém contasse a verdade sobre o que houve na história, que não eram os caçadores bons e as bruxas más, e sim o contrário. A partir disso surgiu a ideia principal que se eu contar aqui vai ser um tremendo spoiler hahaha! 
A maior dificuldade foi a pesquisa, a informação não era tão vasta e as que haviam disponíveis não eram sempre confiáveis. E além disso, tive que cortar alguns fatos do livro para que não ficasse pesado demais, porque a realidade do que houve na Inquisição foi muito pior do que o que os livros retratam. 

6- Pela sinopse de A Fogueira da Bruxa percebemos que a protagonista vai decidir questionar em um ambiente onde as mulheres eram silenciadas. Qual era seu principal objetivo com isto? 
R- Inspirar as mulheres de hoje a questionarem os costumes de hoje, pois o que ontem era considerado costume geral hoje é considerado absurdo. Mas quantas coisas que acreditamos serem normais hoje, também não são absurdas? 

7- Para você, qual foi a maior dificuldade em publicar sua obra? Quais conselhos daria para quem está iniciando? 
R- Acredito que a maior dificuldade é a questão financeira, porque é um tanto difícil conseguir uma publicação tradicional, onde não se paga nada pela mesma, então quando você chega com seu livro pronto sem saber dessa informação, pode ser um balde de água fria. Não tenha pressa e pesquise muito as editoras para encontrar a que mais lhe agrada e é compatível com o seu trabalho. 

8- Tem algum projeto em andamento ou alguma novidade que pode nos contar? 
R- Tenho algumas ideias em mente, mas não consigo decidir qual passar para o papel, pois como eu gosto mais do gênero ficção histórica, tudo o que eu for fazer demandará muita pesquisa e empenho, mas já que estou indecisa ainda não coloquei nada no papel. 

9- Agora é o momento de um bate-bola. 
Uma frase: “Ah, acho que não queria mesmo nada, de tanto que eu queria só tudo. Uma coisa, a coisa, esta coisa: eu somente queria era - ficar sendo!” – Grande Sertão Veredas. 
Eu mudaria: Minha timidez excessiva. 
Um livro: Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa. 
Uma música: Reconvexo, Caetano Veloso. 
Amor: Cultura brasileira. 
Um filme: Quase Famosos. 
Um livro que não gostou: Vidas Secas. 
Uma palavra que te defina: Determinada. 
Um sonho: Viver dos meus livros. 
Escrever é: libertar o mundo que vive dentro de mim. 
Um lema de vida: Faça o que quiser contanto que não faça mal para ninguém. 

10- Chegamos ao fim e gostaria de agradecer novamente. 
Deixe uma mensagem para seus leitores ou futuros leitores. 
R- Oi gente! Obrigada por terem lido essa entrevista até aqui! Espero que tenham gostado! E eu sei que parece clichê, talvez todos digam isso, mas nunca desistam dos seus sonhos, ok? Não é porque ele parece distante, ou porque parece difícil que é impossível, tente e continue tentando até conseguir, só nós somos responsáveis pela nossa felicidade. Nunca deixem de acreditar que são capazes de toda e qualquer coisa a que se propuserem fazer!

Barbara, muito obrigada por essa entrevista inspiradora! Por ela ficou nítido o quanto você é uma mulher de fibra. Te desejo apenas o sucesso e sei que o alcançará! E já digo aqui que amei seu livro e que ele realmente me levou a questionar muitas coisas. Então, Parabéns!

E para quem ficou curioso sobre o livro dela, deixo as informações abaixo:

A Fogueira da Bruxa
Autora: Barbara Sena
Páginas: 208
Onde comprar: Com a autora / Editora Coerência / Amazon
SINOPSE: No fim da Idade Média, a Europa foi varrida pelo medo e o terror, e permitiu que a Santa Inquisição a livrasse de todo o mal que a cercava, as bruxas.
Durante décadas milhões de mulheres foram perseguidas, torturadas e condenadas por crimes que não cometeram e o resultado da ignorância e histeria coletiva, foi uma profunda cicatriz na história da humanidade.
No meio do horror que devastava o continente, Allegra Bellini, uma jovem questionadora do interior da Toscana, vê sua vida pacata se transformar quando no ano de 1492, inquisidores visitam a sua vila e o fogo da purificação dos hereges chega mais perto do que ela jamais havia imaginado.
Em certas épocas falar e lutar pelo que acredita pode ser perigoso e salvar uma vida pode trazer a condenação à outra, a sua própria vida.
Quando o bem lutava para erradicar o mal do mundo, e as mulheres eram silenciadas, Allegra ousou questionar quem são verdadeiramente os bons e os maus. Quem são os vilões e quem são as vítimas e quem define isso.
Em A Fogueira da Bruxa, você vai descobrir que talvez os livros de História não tenham te contado toda a verdade sobre as bruxas...
Beijos da Lice 

10 comentários

  1. Adoro estas entrevistas. São uma excelente ideia. Ficamos a saber mais sobre o autor e dá mais vontade de ler os livros. :)

    ResponderExcluir
  2. Cafe com a Lice!
    Alice, você está de parabéns, que entrevista foi essa? Conhecer o autor assim, nos faz querer ler o livro mil vezes mais, te desejo sucesso nessa caminhada, não limites seus sonhos, você está no caminho certo.


    Xoxo S ��

    ResponderExcluir
  3. Adorei a entrevista! Não conhecia a autora e agora já estou doida pra ler seus livros!!!

    ResponderExcluir
  4. Que massa essa sessão do blog. Entrevistar autores, sejam eles conhecidos ou novos, é algo que sempre da muito certo. Eu não conhecia a Barbara, mas achei o máximo ter essa oportunidade. O livro A Fogueira da Bruxa, apesar de contar uma história que se passa no passado, infelizmente ainda é muito atual em alguns aspectos. Já quero lê-lo.
    Parabéns pelo post, Alice! Muito bom!

    ResponderExcluir
  5. Que entrevista fantástica! Fiquei conhecendo melhor mais uma escritora brasileira e sua obra que me deixou bem curioso. Confesso que estou bem curioso para ler sua obra agora. Parabéns a você e para Barbara Sena!!!

    ResponderExcluir
  6. Adorei conhecer a autora Barbara Sena, é sempre importante a divulgação de escritores nacionais, por isso esse espaço no blog é fantástico! Achei interessante o livro abordar o tema bruxas na Idade Medieval, tenho curiosidade sobre essa questão.

    ResponderExcluir
  7. A idéia de das entrevistas qui é genial, a gente fica conhecendo cada autor

    ResponderExcluir
  8. Adorei a entrevista e parabéns pela iniciativa, uma ótima maneira de conhecemos mais dos autores, suas obras e projetos, a seleção de perguntas foi muito bem feita.

    ResponderExcluir
  9. Oi Alice! Eu adoro entrevista com autores, ainda mais se são para apresentá-los ao público. Não conhecia a Bárbara, mas já fiquei super curiosa com a história dela. Justamente porque concordo com ela sobre bruxas. Acredito que para tudo se existe o bem e o mal. E elas são retratadas, na maioria, como ruins. Vou ficar de olho na resenha do livro. Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

    ResponderExcluir
  10. Olá, tudo bem? Adorei a entrevista pois não conhecia a autora e adorei saber mais sobre ela e seu trabalho! Esse livro está na minha listinha de desejados faz um tempinho ♥

    ResponderExcluir