[Café com a Lice] Entrevista com a Manuela Marques Tchoe

Olá leitores, tudo bem?

Hoje é dia de conhecer melhor a autora Manuela Marques Tchoe. Já li uma obra dela, "Ventos Nômades" e agora chegou o momento de vocês conhecê-la. Espero que gostem! Mas, antes de tudo vou deixar a biografia dela.


Sobre a autora: Baiana de Salvador, Manuela Marques Tchoe vive há mais de dez anos na Alemanha, onde trabalha como executiva de marketing. Manuela é uma escritora apaixonada por culturas diferentes, um tema com o qual ela vive todos os dias. Seu primeiro livro, Ventos Nômades, é uma coleção de contos que cruzam continentes e exploram o desejo de viajar e do exótico, os desafios e maravilhas de relacionamentos multi culturais e imigração.


Agora, vamos a entrevista:

1- Primeiramente, gostaria de agradecer por responder a entrevista, é um prazer tê-la no “Café com a Lice”. 
Para começar, quero saber como a escrita surgiu em sua vida. 
R- Na escola eu sempre adorei escrever e sempre recebia elogios dos professores. Fiz jornalismo por um ano e larguei para estudar ADM, e então a escrita ficou de lado por alguns anos. Eu trabalho em marketing há muito tempo então escrever sempre foi algo que pertenceu à minha vida, mas só depois de ter meu filho, com os meus trinta e três anos, que eu comecei a levar a escrita à sério. Era como se eu percebesse que esse era o momento certo. Foi uma guinada e tanto, mas descobri que esse é o meu caminho! 

2- Quais foram as suas maiores inspirações para a escrita? (autor preferido, livro, situações, etc.) 
R- Uma mistura de viagens e leituras que têm lugares fascinantes como pano de fundo. Eu moro na Alemanha há bastante tempo e tive a oportunidade de viajar pelo mundo, então é claro que passei por algumas situações nesses lugares, às vezes uma dificuldade, às vezes algo engraçado, ocasionalmente batalhas e discussões sobre diferenças culturais. Também tive relacionamentos com estrangeiros, então passei por algumas situações mais exóticas... 
Ao mesmo tempo, eu leio muitas obras que me proporcionam uma espécie de viagem para algum lugar. Por exemplo, “A Ilha” de Victoria Hislop, que é ambientado na Grécia ou “O Deus das Pequenas Coisas” de Arundhati Roti, que tem como base a Índia e seus costumes exóticos. Esse tipo de livro é o meu preferido e com certeza me inspira muito. 

3- Quando está escrevendo você possui algum ritual ou mania que possa ser considerada estranha? 
R- Eu coleciono pedras que eu trago de minhas viagens e tenho uma que eu adoro, que eu trouxe da Grécia. Fica na minha mesa, e toda vez que preciso de inspiração eu olho para ela, às vezes a coloco nas minhas mãos. Me traz energia positiva. 

4- Como surgiu a ideia de “Ventos Nômades”? Qual foi o conto mais fácil e o mais difícil de ser escrito? 
R- Ventos Nômades veio da ideia de construir histórias a partir das minhas viagens e minha experiência de morar longe do Brasil. Como imigrante, sente-se na pele a questão de não se sentir em casa em lugar nenhum, justamente esse sentimento nômade. Com esse livro, eu quis mostrar essas sensações de viver longe, do desejo de viajar, dos amores multiculturais, de descobertas. De auto descobertas também. Quantas vezes numa viagem nos permitimos ver a vida com outros olhos? Enfim, histórias que contam com diferentes culturas como pano de fundo sempre foram minhas preferidas; então por que não criar algo nesse estilo? Daí começou a ideia de escrever contos, cada um explorando um lugar ou cultura diferente. 
Com relação ao conto mais fácil de escrever, acredito ter sido “Tempestade de Areia”, pois este é baseado numa história real. Foi uma questão de resgatar memórias e sensações, e colocar no papel. 
O mais difícil com certeza foi “O Vermelho de Todas as Coisas”, pois passei bastante tempo sem saber como abordar minha viagem para a Índia. Tentei diversas abordagens e nada fluía. Até vir a história uma noite na cabeça e finalmente conseguir realizá-la após alguns meses. 

5- Você mora na Alemanha, que possui uma cultura bem distinta da brasileira. Alguns contos de “Ventos Nômades” trazem o país como pano de fundo. Você utiliza suas próprias experiências e convivências para as suas histórias? Algum personagem foi inspirado em alguém da sua vida? 
R- Com certeza! Alguns contos são baseados em experiências pessoais, mas na maioria foram apenas uma inspiração para criar uma história nova. Além de “Tempestade de Areia”, “Olho no Olho, Polvo com Repolho”, é também meio auto-biográfico. Me lembrei de quando conheci a família coreana de meu marido num restaurante asiático, as reações de minha sogra e seus dilemas. “Milagres na Praça dos Reis” e “Milagres na Terra dos Orixás”, contam um pouco da ida para a Alemanha e os choques culturais, assim como o retorno para casa e o choque cultural reverso. Foram sensações muito fortes que eu quis dividir com o leitor a partir das minhas experiências. 
Mas muitas outras histórias não têm nada a ver comigo, como é o caso do conto na Grécia, “Quando Me Deixei Levar pelo Abraço do Mar”. É pura ficção mesmo. 

6- O mercado editorial brasileiro ainda é muito difícil para iniciantes. Você teria alguma dica para dar aos autores iniciantes que desejam publicar seu livro em formato físico? E quais foram as suas dificuldades quando resolveu publicar seu primeiro livro? 
R- Eu tive algumas dificuldades para publicar, principalmente porque eu ainda não tinha muita noção de como o mercado literário funciona. E vi que não é só produzir um livro bom, mas é importante que o autor participe ativamente de todas as etapas de produção do livro. 
É claro, primeiramente o livro deve ser de qualidade. E para isso, o autor precisa buscar formas de escrever bem, de melhorar a sua arte. Ainda não existem muitos cursos de escrita criativa, e para quem não tem a oportunidade, sugiro ler sobre técnicas de escrita. E também ler MUITO e perceber como autores de sucesso estruturam e escrevem suas obras. Mas principalmente, escrever sobre o que gosta. 
Após escrever a obra, o autor precisa entender que publicá-lo e vendê-lo são as verdadeiras montanhas a serem escaladas. E para isso, é preciso batalhar muito e nunca desistir, mesmo quando você tem o seu manuscrito recusado um monte de vezes (ou nem receber resposta). É importantíssimo saber conversar com o leitor e fazer marketing. Sugiro ter uma presença adequada nas redes sociais, ter uma rede bacana de parceiros, participar de eventos, etc., e proativamente buscar oportunidades para que os leitores conheçam a obra. 

7- Você acabou de lançar na Amazon mais um livro “Encontro de Marés”, o que podemos esperar dessa história? 
R- Encontro de Marés é um romance que conta a história de mãe e filha que se desencontram pela vida. Sempre quis escrever um livro com um caráter social, então explorei o tema da prostituição infantil na obra. Mas também tem a questão da procura pela identidade e a interculturalidade, o misticismo da Bahia, um pouco da violência do Rio. É um romance sobre destino, desencontros e decisões impossíveis. 
A sinopse: Mariana fora abandonada por sua mãe quando criança. Após ser adotada por um casal de alemães, ela cresce em Munique, Alemanha, todos os dias procurando esquecer o passado e apagando traços de sua origem. Mas eventualmente o destino a faz retornar para o Brasil em busca de respostas. Mal ela poderia imaginar os segredos guardados por sua mãe, Rosa, que no passado fora confrontada com decisões impossíveis. Suas vidas entrelaçadas, mãe e filha são vítimas de desencontros, até seus caminhos cruzarem-se novamente. 

8- Vamos a um bate-bola agora. Para cada pergunta, tente responder sucintamente. 
Um livro: A Ilha, de Victoria Hislop 
Um autor (a): Leticia Wierzchowski 
Uma música: Chão de Giz 
Amor é: a melhor versão do ser humano 
Família é: comprometimento 
Uma frase: “Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser” (Cecília Meirelles) 
Um desejo: continuar escrevendo e viajando! 

9- Para finalizar, deixe uma mensagem para seus leitores ou futuros leitores. Esse espaço é seu. 
R- Às vezes é preciso se perder para se encontrar. Entregar-se ao mundo sem grandes amarras, seguir um caminho e descobrir algo inesperado é, eventualmente, transformar perdas em achados. É isso que eu exploro em nesse livro de contos e que continuarei explorando nas minhas próximas obras, pois é algo fascinante e inspirador. Eu te convido a celebrar a literatura nacional explorando além das nossas fronteiras para refletir, inspirar e se emocionar.
Espero que tenham gostado de conhecer um pouco da Manuela e de como surgiram suas inspirações para a escrita.
Adorei descobrir algumas coisas junto com vocês. Vou deixar a sinopse e link de compra do livro físico dela, e em breve vai ter resenha do e-book, então fiquem ligadinhos!

SINOPSE: Quantas vezes numa viagem nos permitimos ver a vida com outros olhos?
Em Ventos Nômades você encontrará dez contos que cruzam continentes, exploram o choque de culturas e novos horizontes além das fronteiras tupiniquins.
Você largará tudo em busca do sentido da vida com Guilherme até chegar ao mais antigo templo do sudeste asiático. Com uma americana à beira da morte, receberá um sopro de vida na ilha grega de Creta. E se embrenhará junto com dois amigos nos segredos judaicos de Praga.
Ventos Nômades é um convite a viajar pelo mundo.
Onde Comprar: Editora Pendragon / Amazon


Beijos da Lice 

14 comentários

  1. Muito legal a entrevista, primeiramente digo que me interessou muito o livro VENTOS NOMADES, parece ser uma leitura que te traz muita informaçao de culturas diferentes e lugares diferentes. E o que mais achei interessante na entrevista foi o fato dela colecionar pedras dos lugares que visita e usar como inspiração para escrever.

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    1. Sim, Ventos Nômades é realmente muito bom e tem uma mistura de culturas fantástica!

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  2. Olá, tudo bem Lice?

    Eu confesso que não conhecia a autora e seu livro. Achei a capa do livro por sinal muito bonita e a Pendragon costuma levar ao mercado editorial belas edições. Adorei a oportunidade de conhecer a autora e se surgir uma oportunidade vou ler o livro da Manuela.
    Abraço!

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    1. O livro é muito bom e o trabalho editorial está esplêndido, realmente vale muito a pena!

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  3. Cara que entrevista legal, acabei me apaixonando pelo livro antes de ler haha eu tenho um espírito wonderlust e acho que vou me identificar bastante, vou procurar saber ainda mais sobre essa autora.

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    1. Acho que você realmente iria se identificar rs Procure sim!

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  4. Olá
    O livro tem uma premissa maravilhosa, adoro histórias que me fazem viajar, conhecer um pouca a autora me deixou ainda mais curiosa porque saber que muita coisa ali ela tirou de sua vivência deixa a história ainda mais interessante

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    1. Sim, o mais bacana é saber que muitas coisas ela tira dos momentos que viveu.

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  5. Olá, Alice! Tudo bem? Mais uma vez estou aqui, lendo uma entrevista com uma escritora que eu desconhecia e me APAIXONANDO. <3
    Necessito de um exemplar do livro "Ventos Nômades" pra ontem!
    Não poderia deixar de comentar que AMEI a mensagem que ela deixou: "Às vezes é preciso se perder para se encontrar. Entregar-se ao mundo sem grandes amarras, seguir um caminho e descobrir algo inesperado é, eventualmente, transformar perdas em achados." Eu estava precisando mesmo ler isso hoje.
    Desejo cada vez mais sucesso e luz à Manuela e a este blog lindo.
    Beijos. <3

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    1. Ah, fico tão feliz com comentários como esse. O livro é muito bom e vale a pena ser lido, e a Manuela é uma fofa. Espero que possa ler <3

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  6. Que entrevista incrível, amo conhecer um pouco mais sobre os autores e agora estou ainda mais ansiosa para ler Ventos Nomades, que já estava na minha lista.

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    1. Feliz que tenha gostado da entrevista. Leia sim e me conta rs <3

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  7. Olá!
    não conhecia a autora, essas entrevistas nos aproximam dos novos autores e nos apresentam seus trabalhos, precisamos valorizar os autores nacionais que possuem livros ótimos. Já coloquei Ventos Nômades na lista! Sucesso a autora!

    beijos!

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    1. Com certeza precisamos valorizar nossos escritores que são maravilhosos <3

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