[Resenha] Tudo que faltou acontecer - Thiago Teodósio

Olá amores, tudo bem?

Essa semana teve Primeiras Impressões desse livro e agora já venho trazer a resenha para vocês. Espero que gostem e fiquem encantados assim como eu fiquei.

Tudo que faltou acontecer
Autor: Thiago Teodósio
Páginas: 350
Editora: Coerência
Nota: 💙💙💙💙
*E-book cedido pela Editora
SINOPSE:Com apenas 12 anos, Henri notou que se sentia atraído por meninos. Infelizmente, a autoaceitação foi um pouco complicada, principalmente com a opressão vinda de um colega da escola e de alguns familiares.
O garoto sempre teve em mente que nunca revelaria sua sexualidade, porém, após pedir tantas respostas a Deus e se esconder dentro de uma sociedade intolerante, aos 16 anos, ele acaba sentindo a necessidade de se arriscar para entender aquilo que sempre procurou esconder dentro de si mesmo.
Já esgotado de tanta inconformidade, Henri divide sua angústia com suas amigas, Hebe e Dyenifer. E a partir do momento em que ele passa a aceitar-se, toda a situação começa a melhorar, quer dizer, nem tudo.
O ensino médio pode ser complicado para os adolescentes, mais ainda se faz parte de uma minoria. Procurando não ser atingido pela homofobia cometida por algumas pessoas, Henri, com os sentimentos à flor da pele, começa a viver intensamente e com mais liberdade, sempre ao lado das pessoas que ama, como sua avó e suas amigas. Até que chega Benício para abalar seu coração.
Com base em uma grande lição de vida, você está convidado a fazer a leitura desta obra o mais rápido possível e, assim, conhecer um pouco mais sobre a vida de um garoto homossexual durante a adolescência.
Henrique Heidenreich, aos 12 anos notou que tinha algo diferente. O garoto sentia atração por meninos e não por meninas e isto martelava em sua cabeça. Ele adorava dormir na casa da sua avó Celina, pois ela era o seu porto seguro e mesmo vivendo com pouco, dava o que era necessário a Henri, o amor.
Apesar de sua tia, Giovanna ser lésbica assumida, ele tinha medo do que seus pais iriam pensar se descobrissem que ele não gostava de meninas, tinha receio principalmente do seu pai, o cabo Gael.

Assim, Henri cresceu guardando seu segredo até chegar ao último ano do ensino médio. Agora, o jovem tinha duas melhores amigas: Hebe e Dyenifer. Hebe estudava com ele desde sempre, era uma menina inteligente e astuta. Já Dyenifer era uma amizade recente, mas com a mesma importância e em breve a jovem mudaria de colégio para ficar com os amigos.

Henri contou primeiro para Hebe que era gay, e ouviu dela que já sabia. Com Dyenifer não foi diferente, as duas estavam felizes por terem um amigo gay e o metralharam de perguntas.
Até aquela idade, Henri só havia ficado com um garoto, Maurício, o primo de sua amiga Ornela. Ele também nutria uma certa "paixonite secreta" por um professor do colégio, Osmar, mas nada muito sério.
"Por favor, papai do céu, atenda a minha prece, eu imploro! Faça com que eu goste de garotas, assim meu pai vai gostar mais de mim"
O ano se inicia, e Henri tem que lidar com o povo do colégio. O legal é que por está no último ano, finalmente iria estudar na melhor sala, mas teria a companhia dos mesmos colegas. Na sala de aula tinha Anderson, um garoto que adorava fazer piadinha e Christian Levy, um garoto afeminado que não se assumia e era um debochado.

Em meio as cenas do colégio, Henri vai percebendo que tem professores novos, mas nada fora do normal. Com a novidade que terão aulas a tarde alguns dias na semana, Henri convence sua mãe a deixar Dyenifer almoçar 2 vezes por semana em sua casa, pois como ela mora do outro lado da cidade, se locomover se tornaria impossível.

Em uma visita a Ornela, ela resolve que precisam arrumar um boy para ele. Assim, passando algumas fotos de garotos, ele acaba se encantando por Benício, um garoto que lhe encanta e Ornela fala que vai arrumar um encontro dos dois.
Desta forma, Henri vai ter o seu primeiro encontro com Benício, mas ao lado tem Samuel, um amigo de Ornela que planejou tudo. Parece que finalmente Henri terá a sua primeira paixão ardente.
"Dois corações emotivos unidos na esperança de que o amor verdadeiro existe e, claro não posso deixar de mencionar, na crença de que contos de fadas podem, sim, tornarem-se reais"
O que o futuro reserva para Benício? Ele vai viver uma grande paixão? Ele vai conseguir se assumir para sua família?
Henri é um personagem que encanta a todos os leitores. Um garoto como muitos por aí, que são felizes em suas vidas, mas que tem seus próprios demônios para lidar e se revelar como é verdadeiramente é algo complicado. Ele é um verdadeiro amigo, divertido e ama a sua família. Mesmo sabendo das dificuldades que seria se assumir, eles os ama.

Hebe é a mistura da inteligência com uma dose pequena de loucura. A garota adora ser o centro das atenções na sala de aula e sempre quer se mostrar a melhor. Ela também é um amiga verdadeira e honesta.
Dyenifer não é muito diferente de Hebe. Ela está sempre apoiando os amigos e ama uma comida, verdadeiramente (me identifico rs).
"Poder ser eu mesmo, sem medo, sem ressentimento ou precisar me esconder, tem sido muito bom. E isto não tem dinheiro no mundo que pague"
Vó Celina é uma mulher que não teve uma vida fácil. Ela tem uma vida comum, com suas limitações financeiras, mas tenta agradar Henri com o que tem. Ela sempre esteve ao lado do neto e os dois possuem uma ligação forte. Mulher forte e de pulso firme, fiquei querendo uma avó dessas.

Benício vai chegar para balançar a história. O jovem de 22 anos, cursa economia e é muito seguro com a sua escolha sexual. Independente, ele é divertido e nomeou Henri de "garotinho" pela diferença de 6 anos entre eles.

Alguns outros personagens vão aparecer no decorrer do livro, tendo sua importância para determinado momento, mas não cabe nomeá-los todos aqui. Os que citei foram os mais marcantes para mim.
O livro inicia-se com uma conversa de Henri com Deus. Na primeira cena, eu já me via em lágrimas pela inocência de uma criança de não saber o que está ocorrendo com si e se perguntando o motivo dela não gostar de meninas, e sim, de meninos. Imaginar uma criança pedindo para gostar de meninas é doloroso e reflete o que a sociedade impõe.

Ao longo do livro, vamos acompanhando a vida e aflições do Henri que não são poucas. Ele vai passar por algumas fases na obra e a que partiu meu coração, foi quando seus pais descobriram que ele era homossexual. Ver sua família negando quem você é e querendo lhe mudar a todo custo é algo que incomoda, que machuca.
O pai de Henri, reflete muitos pais, que acham que seu filho apenas "acha" que é gay porque não transou com uma mulher e que isto vai mudar.

É nítido que o preconceito ainda está enraizado na sociedade. Algumas pessoas não conseguem aceitar que as demais possam ser "diferentes" da maioria e por isso querem impor, querem pisar, querem causar dor. Ser homossexual no Brasil de hoje não é fácil e nesse quesito o autor até que foi brando, pois a realidade é mais dura do que o apresentado, porém o objetivo era outro, mostrar um jovem descobrindo mais a fundo seus desejos.
"Você não pode simplesmente julgar ou diminuir alguém por algum motivo que você pense ser o certo. Na vida temos que aprender a aceitar e respeitar o próximo, seja ele do jeito que for"
Os personagens foram muito bem construídos, eles são a cópia de muitas pessoas por aí e isto é o bacana. A família de Henri pode ser qualquer família, que tem as mesmas "ressalvas" em relação a homossexualidade.

A escrita do Thiago é muito verdadeira, acho que essa palavra resume quase tudo. Pelo fato do autor ser gay, creio que o livro tenha muito dele, mas vale ressaltar que ele deixa claro que o livro não é uma autobiografia. Com os dramas adolescentes, o Thiago nos faz devorar as páginas com velocidade e acabar o livro desejando mais conteúdo.

A relação de Henri e Benício foi algo delicioso de acompanhar. Apesar das diferenças entre os dois, principalmente de idade, eles vão construir uma amizade bacana, que vai se tornar em algo mais, inevitavelmente.
"Em mim, você fez o amor florescer, mas aos poucos se esqueceu de regar e cuidar de mim"
A obra é narrada em primeira pessoa pelo Henri, então vamos sentindo e acompanhando tudo que lhe passa na cabeça.
Quanto a edição, acho a capa linda e com representatividade. Não encontrei muitos erros de ortografia, como sempre a Coerência fez um trabalho maravilhoso.

Como é viver escondendo quem você realmente é? Sinceramente, eu não sei, pois não passei por algo assim. Provavelmente você também não sabe ou se você sabe, deve está se sentindo sufocado.
Henri é um garoto cheio de vida, que tem certeza da sua homossexualidade e que vai passar por algumas aventuras durante o seu percalço. Ele vai cair, vai se reerguer, vai sorrir ou vai chorar. Ele vai aprender a viver...

Beijos da Lice

14 comentários

  1. Esse ivro parece maravilhoso, a capa e extremamente linda e fofa, já li uma resenha dele e gostei bastante vou ver se acho pra comprar no kindle❤

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  2. Oi, Alice. Já li resenhas sobre esse livro em outro blog e amei a capa e o título dele. Me interessei também por ser LGBT, sempre bom se ver representando nas histórias né?

    Sou gay e sei bem como é passar por essas adversidades da vida, na escola, nas ruas, em qualquer lugar. E na verdade ser gay não é uma opção, é mais uma condição, sabe? A gente precisa ter cuidado com algumas expressões como essa porque boa dá ideia de que podemos escolher ou não se sentir atraído pelo mesmo sexo.

    Apesar de toda dificuldade que ainda temos e vivemos nós gays estamos ganhando mais espaços e nos revelando mais ainda no país de hoje.

    Quero ler o livro, vou buscar.

    - Bjux,
    Diego || Blog Vida & Letras ♥
    www.vidaeletras.com.br

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Olá, Alice.

    Fiquei bastante contente ao ver que se tratava de uma resenha sobre um livro de representatividade LGBT+. Apesar de ainda trazer uma visão masculina (ultimamente, estou em busca de um bom livro sobre um casal lésbico), é um grande ganho para nós, como sociedade, que esse assunto finalmente esteja circulando e não mais sendo completamente silenciado.

    Pela sua resenha, tive a impressão de que o livro trata de forma mais leve o assunto, apesar de todo o problema com os pais. O Henri tem pontos de apoio - amigos, a avó e, pelo visto, um homão da porra (hehehe) -, pessoas que estão ao seu lado. Então, acho que esse é um livro bom para quem está em processo de se aceitar; pois nesse ponto saber que você não estará sozinho é muito importante, não é?

    Se lê-lo será criar uma bolha de ilusão ou um alicerce, isso eu só saberia dizer com certeza lendo. Mas gostei muito da indicação, mais um para a minha listinha.

    Beijos!

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  5. Olá gostei da resenha achei bem fluída quem nunca conheceu ou não conhece um Henry pessoalmente não é mesmo? Um pré adolescente descobrindo sua sexualidade e descobrindo "ser diferente" dos outros...O deboche,piadinhas,preconceito é algo muito ruim espero que Henry tenha tido um final feliz e aceitação de sua família pois não devemos desprezar ninguém por sua "opção" sexual

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  6. To bem interessada nos romances LGBT+ depois de ter lido Estamos Bem e Simon vs a agenda homo sapiens e esse livro me chamou muito a atenção, sério! Vou procurar mais sobre ele depois sim

    Beijos
    Próxima Primavera

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  7. Gostei de conhecer o livro, pois a discussão da descoberta da sexualidade do adolescente é importante, ainda mais tratando-se de homossexualismo e de como se assumir para a família é complicado.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  8. Cara,
    que nome é esse: Henrique Heidenreich? Se eu tivesse um nome assim, provavelmente seria diretor de novela da Globo.
    Poxa, maravilhosa a resenha. Confesso que não é o tipo de livro que eu leria (por causa da temática, não por ser LGBT), mas achei q é bastante válido para os dias de hoje.
    Poxa, agora, adorei a foto do Kindle. Atualiza tanto a obra e ficou tão bonito!
    Parabéns mesmo.

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  9. Bom, você trouxe a tona um assunto que muitos sentem dificuldade em abordar.
    No entanto às crianças, adolescentes sempre passa por esta indecisão, mas ao atingir uma certa idade acaba por definir qual caminho seguir de acordo com seus gostos.
    No caso homossexualismo nós que atuamos na área da educação encaramos de maneira natural como na verdade é.
    É o que tenho a dizer e quanto a literatura postada acima ja estava na hora de aparecer alguns título que aborde tal assunto destinado ao público específico.

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  10. Olá tudo bom? Eu já tinha lido a suas primeiras impressões, que legal essa resenha. Gostei que deu mais detalhes e sua opinião aprofundada. Atualidade estamos vivendo nos permite ler e ouvir vários relatos e histórias assim, realmente esse livro deve ser encantador já que mostra a visão do personagem sobre essa questão de sexualidade desde novinho. Uma boa leitura, vou por na fila dos que pretendo ler. bjus Isa Miranda

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  11. Olá!

    Nossa! Que resenha! Que livro!
    O primeiro quote que você destacou acabou com o meu coração. Fico imaginando o que esse livro faria comigo... eu me emocionaria muito, sem dúvidas.
    Não costumo ler romances LGBT, mas esse me chamou a atenção.

    Amei sua resenha.
    Beijos,

    Narah | www.lerantesdedormir.com.br

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  12. Oi Alice!!
    Nossa, fiquei encantada pela história de Henri. Achei a capa muito fofa e sua resenha está ótima, como sempre.
    Infelizmente a sociedade ainda é muito preconceituosa e vê a opção sexual das pessoas como se fosse uma nítida escolha entre escolher ir para o lado direito ou esquerdo. O que eu sempre falo é que precisamos respeitar assim como queremos ser respeitadas. Todo mundo merece ser amado independente da opção sexual.
    Bjs
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  13. Esse liro é realmente muito bom, super fofo, da a impressão que estamos la vivendo tudo com ele.

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  14. Essa mistura jovem de amizade e superação é muito legal, fórmula de sucesso!

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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