[Resenha] Montanha da Lua: A Maldição dos Hallinson - Mari scotti

Olá amores, tudo bem?

Hoje trago a resenha do primeiro livro da série "Família Hallinson" da Mari Scotti, nossa parceira de 2018. Esta foi uma leitura bem gostosa e até consideraria surpreendente, um bom livro, sem dúvidas!

Montanha da Lua: A Maldição dos Hallinson
Autora: Mari Scotti
Série: Família Hallinson - Livro I
Páginas: 281
Onde Comprar: Amazon
Nota: 💙💙💙💙💙
*E-book cedido pela autora
SINOPSE:  Há séculos uma verdade acompanha cada herdeiro do ducado de Bousquet: A Maldição dos Hallinsons.
Conta-se que a tragédia os acompanha, levando à morte as esposas em seu primeiro ano de matrimônio. Geração após geração, aprendem sua sina e a regra a seguir para possuir uma união frutífera e longa.
Octávio Hallinson Segundo sofre as consequências de não seguir estes ensinamentos. Viúvo, isolou-se da sociedade, fugindo da responsabilidade de casar-se novamente para providenciar um herdeiro para seu título.
Um homem marcado pela dor.
Mical Baudelaire Nashgan sempre foi uma mulher decidida, enfrentando as ordens de sua tia e negando-se a seguir o protocolo que obrigava mulheres a procurar maridos apenas por posse de títulos e dinheiro e não por amor.
O posicionamento contraditório aos costumes afastou os candidatos, tornando-a uma das únicas solteironas que sua província conheceu. A mais bela dentre elas.
Uma tragédia a coloca frente aos perigos da floresta aos pés da Montanha da Lua e seu futuro torna-se incerto e assustador.
Mical Baudelaire Nashgan é uma mulher de 34 anos muito bem resolvida com a vida e com uma personalidade forte. Ela perdeu os pais e irmão ainda na adolescência devido a um naufrágio e depois do ocorrido passou a morar com os tios.
Com a sua determinação, Mical colocou na cabeça que se casaria por amor e chegou a sua idade atual solteira e como a "vergonha" da sua tia, que a queria casada a todo custo.

Certo dia, ao voltar da casa da sua amiga Anne Bassih Miller, que era casada com um dos seus primos, ela decidiu voltar para a sua residência por um atalho na floresta aos pés da Montanha da Lua, mas as coisas não saíram como planejado. Ela sentiu que alguém a estava seguindo e a certeza só ficava mais clara, assim como os sinais, e o medo a conduziu.

Quando despertou ela estava em um ambiente ainda não conhecido e a sua frente um homem, que lhe jogou um pano úmido. Mical pensou que estivesse sendo raptada e que seu algoz iria querer ouro ou joias, e ela só queria sair daquele local. Era um casebre no meio do nada, com uma áurea totalmente masculina.
"Deveria lembrar-me de que sou a mulher que enfrentou toda uma sociedade para permanecer solteira e não uma donzela em apuros que precisa de um príncipe encantado que a resgate"
Por incrível que pareça, o homem tinha cuidado de Mical o tempo que ficou desacordada e também estava alimentado-a, e não tinha tentado avançar nenhum sinal com ela. Quando o homem não estava por perto, Mical resolveu mexer em alguns papéis que estavam espalhado pela escrivaninha e viu o nome de seu algoz: Octávio Hallinson Segundo.

No mesmo instante, Mical reconheceu o nome e tudo que ele representava para a sua cidade. Os Hallinson tinham uma lenda em relação a suas esposas. Pelo que se falava, todas elas enlouqueciam e morriam no primeiro ano do matrimônio, e o mesmo tinha ocorrido com a esposa de Octávio Hallinson Segundo. Porém, logo Mical tentou tirar isto de sua cabeça, o seu raptor não poderia ser Octávio, que era um dos homens mais ricos e influentes de Madascócia, o Duque de Bousquet.

Aos poucos, Mical foi conversando com o homem que lhe "prendia" e ele prometeu-a libertar na manhã seguinte. Seu algoz saiu para caçar e mais uma vez ela foi bisbilhotar. Mical encontrou cartas destinadas a Octávio de Ludmila, uma mulher que se mostrava completamente apaixonada por ele. Assim, ela convenceu-se que aquele homem poderia sim, ser Octávio.
"Ele não se casaria por amor e era só o que eu desejava naquele momento. O amor e um filho"
Quando voltou da caça, Octávio estava ferido, um corte lhe perpassava pela barriga. Ao indagar o que tinha ocorrido, ele lhe explicou que tal ferimento tinha sido causado por um urso, quando ele a salvou. Com esta nova informação, Mical se sente mal por ter pensado tão negativo sobre ele e decide que ficará ali naquele casebre para cuidar dele.

Os dias passam e eles vão convivendo naquele minúsculo casebre. Mical vai cuidando do ferimento de Octávio. Irremediavelmente, chega o dia em que Octávio leva Mical para sua casa. Ao chegar em casa, ela descobre pelos seus empregados, que sua tia colocou sua mão como prêmio de casamento para quem a encontrasse. 

O que será que acontecerá com Mical voltando para a sua casa? O Hallinson e ela voltarão a se encontrar?
Antes de mais nada, preciso afirmar que não falei muito a respeito da obra, tudo que narrei ocorre em 20% da obra e não vou me estender muito mais que isso para não soltar spoilers desnecessários.
Porém, antes de falar algo mais, preciso falar um pouco sobre Octávio Hallinson, sua Maldição e o motivo que levou-o a morar em um casebre na Montanha da Lua, quando era tão rico.

Octávio Hallinson Segundo, viu sua mãe morrer, assim como todos os antecedentes de sua família. Seu pai, ensinou-lhe desde pequeno, que ele não poderia amar nenhuma mulher em sua vida e se casar com ela, pois o destino para ela, seria a morte.
Então, Octávio, cresceu sabendo que não poderia amar alguém e quando encontrou Ludmila sabia que não poderia desposá-la. Para deixar seu grande amor viva, Octávio acabou se casando com outra, mas ao criar afeição por ela, ela também teve o trágico destino das outras mulheres que casaram-se com um Hallinson. 
Assim, desde a morte da sua esposa, Octávio tinha "abdicado" do seu ducado, deixando todas as responsabilidades a serem tratadas pelo seu mordomo, Anthony. Já Octávio ficava na Montanha da Lua e tinha mantimentos levado esporadicamente por Anthony.

Com a chegada de Mical em sua vida, Octávio decide voltar e tomar o seu lugar e por ser amigo do Rei Guilherme IV, ele sabe que não terá dificuldades em voltar para a sua posição e para a sociedade.
Já que estou falando de Octávio, preciso dizer que senti muita raiva dele, essa convicção de que a Maldição realmente existe me dava nos nervos, pois o impedia de viver, ele sempre tratava nos momentos mais importantes.
"Ser um Hallinson não era ser um duque ou ter poder acima de qualquer outro nobre de minha província. Para mim, era uma obrigação hereditária que me condenava a aceitar meu destino desde a meninice, de que tudo me era permitido como lorde, exceto o que parecia mais importante: amar"
Mical por sua vez, é o completo oposto. Ela é uma personagem bem determinada para a sua época e não tem medo de ficar para "titia", mesmo querendo ter uma família e consequentemente, um filho. Mas, para ela, o casamento só é válido quando há sentimentos e até o momento, ela não havia sentido isto. Octávio chegou balançado todas as estruturas de Mical, e despertando nela sentimentos que ela não sabia ser possível.

Antonieta a tia de Mical, e, Marquesa Miller é uma mulher que causa muita raiva no leitor no início do livro. Ela não aceita a independência da sobrinha e deseja casá-la, pois só assim ela poderá ser feliz. Ela é uma mulher fria e rancorosa, e este comportamento se estende também até o seu marido, quem ela trata sem paixão.
No entanto, ao longo do livro, os sentimentos por Antonieta vão sendo mudados completamente, e passamos a enxergá-la de outra forma. Confesso que ela foi a responsável por derramar as minhas primeiras lágrimas nesta leitura.

Já Arnaldo é o completo oposto de Antonieta. Enquanto a sua mulher é gélida, ele é um doce e sempre tratou com muito carinho a sua sobrinha, Mical, mesmo sendo tio dela apenas por ser casado com Antonieta. Arnaldo também é amigo de Octávio, eles se conheceram quando Octávio estava cursando medicina e se tornaram amigos distantes, principalmente depois do casamento de Arnaldo e Antonieta.
"Quando o pavor e o amor se encontram em um único momento, o resultado pode ser catastrófico, em raras vezes benéfico"
Anthony também é um personagem importante para a história, pois ele vai provar várias vezes o seu carinho e amizade por Octávio, sempre tentando fazer o seu patrão tomar as melhores atitudes. Ele foi um personagem que gostei bastante!
Esse é o primeiro romance de época nacional que leio e minha experiência não poderia ter sido melhor. Antes de tudo, preciso pontuar que a minha relação com romance de época se deu apenas com os clássicos e com as obras da Julia Quinn, então tenho pouca margem para comparações, como já vi muitas pessoas fazendo. Então, irei falar exclusivamente da minha experiência. 

Eu adorei a forma como a Mari Scotti abordou a época na qual o livro se trata, pois pareceu-me que ela foi bem realista, principalmente na questão do homem sempre se visto como o "impositor", aquele a qual a mulher deve qualquer coisa. Ela não tentou romantizar muito as ações, como o que acontece por exemplo nos livros de Julia Quinn, onde parece que todo mundo é a frente do seu tempo.

A Mical tem uma personalidade forte, mas em alguns momentos ela vai 'seguir' o que era imposto pela época. Como já falei anteriormente, por mim, tinha dado uns bons tabefes na cara do Octávio para ver se ele acordava para a vida, algumas atitudes dele são inconcebíveis, pois ele se prende muito a algo não tão concreto assim.
"Não sabia que era possível me apaixonar tão tarde, mas depois que aconteceu, não acreditei que era possível ter um coração partido também"
O enredo foi muito bem amarrado pela Mari, que soube conduzir a obra com maestria e colocar os elementos na dose certa. O livro retrata em certo momento um assunto muito importante, que se já choca a sociedade atual, antigamente era quase como algo impensável. Confesso que esse acontecimento me encheu de orgulho, pois é importante debater isto sempre. Até onde o "poder" do homem pode ir contra uma mulher?

Atualmente a ideia de que mulher deve ser submissa ao homem ainda é muito forte, e neste livro a Mari mostra como naquele tempo a coisa era ainda pior. Ela não tentou amenizar isto, fato que me agradou, pois quero ler uma ficção, mas que também mostre a realidade da época.

Este foi meu primeiro contato com a escrita da Mari e fiquei surpresa. Ela sabe onde pisa, sabe o que descreve e consegue segurar a obra nos momentos mais críticos. Ela soube inserir personagens quando necessário, soube colocar cenas para causar desconforto e revolta, soube trazer cenas delicadas e cheia de sentimentos. Resumindo, ela sabe escrever e sabe sobre o que quer falar, então minha curiosidade para ler outros livros dela é gigantesca.
Uma coisa que merece destaque são as cenas hot's que a autora não teve medo de colocar, ela soube ser "caliente" quando necessário e mesmo assim não pesar a obra. Simplesmente adorei!
"Assim é a vida. E privar-se da felicidade por medo é a pior maneira de vivê-la"
"Montanha da Lua" é um livro que me fisgou pela personalidade da Mical, é um livro que me fez sentir pena e raiva do Octávio, é um livro que aprendi que às vezes nós precisamos enfrentar nossos piores temores, para que assim possamos finalmente viver um rio de felicidade. É um livro que te ensina a se arriscar, a sair do confortável ou do que você acha certo, é um livro com ensinamentos, com sentimento. Ao final fiquei querendo mais da Mical e do Octávio, fiquei com o gostinho na boca. Super recomendo!!!

Beijos da Lice

11 comentários

  1. Uauuu, gostei muito da resenha!
    Eu não conhecia esse livro e muito menos sabia que ele era nacional. A história me interessou bastante, e romance de época então!!!!

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  2. Olá,
    Ultimamente estou na vibe de ler romances, gostei bastante da premissa do livro. Um romance de época, apensar de ter lido poucos, mas seria interessante dá uma atenção a este. Parabéns pela ótima resenha.
    Abraços.

    Menino Livros, Haulisson.

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  3. Meus sentimentos com essa resenha estão tão fortes que nem sei o que falar! Obrigada! Cada palavra sua me surpreendeu, me tocou, me fez sentir que tanta dor e tanta luta estão valendo a pena!
    Obrigada! E parabéns pelo apoio e dedicação aos nacionais! Espero que goste dos meus próximos livros 😍😍

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  4. Que resenha maravilhosa!!! Você escreve muito bem!! E que livro incrivel... <3 Tô apaixonada!

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  5. Oi Alice! Eu conheço a Mari e esse livro, por causa das redes sociais. Mas não tinha lido nenhuma resenha para saber melhor sobre a trama e sua resenha me deixou super curiosa! Achei legal essa história de Maldição e uma mocinha de personalidade forte. Tive uma primeira impressão de algo no estilo A Bela e a Fera.
    E acho ótimo a dedicação das autoras em pesquisar as coisas da época e serem os mais realistas possíveis. Além de tudo, fico feliz de ver as autoras nacionais ganhando cada dia mais espaço e com diversos gêneros!
    Amei essa resenha maravilhosa! Beijos

    https://almde50tons.wordpress.com/

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  6. Olá Alice!!
    Parabéns pela resenha! Romance de época é o meu gênero preferido e já anotei o nome desse para baixar depois. Li poucos romances de época nacionais, e estou curiosa para ler esse!
    Obrigada pela indicação!
    Beijos

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  7. Oi, Lice!
    Puxa, que resenha maravilhosa! Eu nem sabia que esse livro existia, mas já estou louca pra ir comprar e ler!!! Muito boa a história. A capa é belíssima! Obrigada pela dica e parabéns pela postagem!
    Grande abraço!
    Drica.
    https://testelivroseideias.blogspot.com.br/

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  8. A capa apaixonou-me completamente! Eu não conhecia mas estou curiosa :p

    Beijinhos,
    Mii
    Comic Life Blog

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  9. Olá! Não conhecia o livro ainda, mas achei super interessante!!
    Parece ser uma ótima leitura.
    Amei o post, super completo.

    by: atravesdaescrita.blogspot.com

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  10. Não conhecia o livro, que resenha foda e essa frase: "Assim é a vida. E privar-se da felicidade por medo é a pior maneira de vivê-la"
    é magnifica!

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