[Resenha] Alba - Matheus Sperafico

Olá leitores, tudo bem?

Hoje venho resenhar para vocês mais um livro do Matheus Sperafico, e mais uma vez fui surpreendida pela escrita do autor que traz tantos temas interessantes para discussão.

Alba
Autor: Matheus Sperafico
Páginas: 434
Editora: Skull
Onde comprar: Um Livro
Nota: 
*Livro cedido pelo autor
SINOPSE: Em uma Tóquio do amanhã ergue-se uma imponente Cidadela, sustentada por pilares, acima de tudo e todos. Nela, somente aqueles possuidores de Graças podem viver em sua utopia clara e reluzente. É nesse lugar onde uma figura encara o mundo caótico abaixo, disposta a ir contra o senso comum e mudar a realidade cruel que cerca a todos. Entretanto, o choque entre belas ideias e esperanças contra a dura e implacável realidade é mais do que o suficientes para trazer a tona a verdadeira natureza de cada um. Em meio a tanta dor e medo, ninguém é capaz de prever que tipos de monstros podem espreitar em meio às sombras... ou surgir delas.
Com elementos cyberpunk, suspense e drama policial, Alba traz uma reflexão quanto à natureza humana e os limites de até onde estamos dispostos a ir por aquilo que acreditamos ser o certo, indiferente das circunstâncias e métodos necessários que se apresentem em nosso caminho.
Em futuro não muito distante, em Tóquio, se ergueu um lugar que foi nomeado de Cidadela. A Cidadela é um lugar restrito somente aqueles que possuem Graças, que são características (físicas e intelectuais) compradas pelas famílias para seus filhos. Todos os moradores da Cidadela seguem um padrão: possuem pele, cabelos e olhos claros, além da inteligência. 

Cassandra é uma jovem moradora da Cidadela que tem o sonho de ingressar na polícia local. Ela é amiga de Percival LeCiel, um jovem que é conhecido por ter sido concebido com o maior número de Graças, sendo o mais inteligente entre todos. Percy, diferente dos demais, tem cabelos e pele extremamente brancos, e acredita que a Cidadela não deveria viver separada do Japão, que deveria haver uma integralização, pensamento que vai contra os governantes do local.
"Muitos acreditaram que o tempo faria com que as pessoas percebessem que a cor da sua pele ou o metal de seu berço não definem quem somos, mas tal compreensão seria esperar muito, ainda mais com um lugar como a Cidadela existindo e servindo de farol para o preconceito. Os homens sempre serão homens."
Por conta dos seus ideais, Percy vai acabar sendo sequestrado da Cidadela e levado para a periferia de Tóquio, por um grupo que trafica órgãos humanos. Nesse local ele vai presenciar o pior lado do ser humano e vai ter um dos seus braços cortados. 
E é neste momento que todas as crenças de Percy vão por água abaixo... Para sair vivo de tal situação, ele sabe que precisa despertar o "mal" dentro de si, e ao conseguir escapar, quando coloca fogo no local em que estava preso, Percy só consegue pensar que nada será como antes e que precisa fazer algo contra todo o sistema.

Cassandra, por sua vez, inconformada com o sumiço de Percy, decide que se juntará a delegacia de Tóquio, que agora está tomando conta do caso. Assim, a jovem abandona sua casa e estilo de vida para descer a periferia com o propósito de ajudar o seu amigo. Só que ao descobrir do incêndio e que Percy foi dado como morto, ela decide ficar no local para buscar vingança pessoal.
"As pessoas criavam ódio para tudo, fossem partes do corpo, cor de pele ou crença. Agiam como veneno, destruindo lentamente as funções vitais de uma sociedade até sobrar somente um corpo inerte e mecânico, sem propósito além de agredir qualquer alteração de uma rotina predefinida."
Sendo corrompido pelas situações que teve que passar, Percy se torna temido entre todos, não fazendo objeção entre as pessoas que mata e sendo cruel. Indo em busca de suas próprias respostas, ele se tornará o que sempre teve asco. 
Quais serão os próximos passos de Percy e Cassandra?


Com um enredo bem construído, o Matheus nos leva para alguns debates sociais: A maldade realmente está presente em todos os seres humanos? Apenas escondemos nosso pior lado por conta da "sociedade"? Alguém pode ser moldado por causa de situações específicas?
Todos esses questionamentos surgirão ao realizarmos esta leitura. Percy vai começar a pensar que só as pessoas que deixam a maldade aflorar dentro de si estão aptas para viver e com isso vai buscar respostas para seus questionamentos internos.

O Matheus soube criar uma história muito bem feita em relação a Cidadela. Todas as explicações de como essa sociedade funciona se encaixam e vão fazendo sentido aos poucos. O povo da periferia sempre viveu em situações deploráveis por conta da Cidadela, por isso nutrem um ódio por eles. A Yakuza, por sua vez, é um grupo que perturba a paz da periferia, mas que também é contra a Cidadela.
"Todo indivíduo é um monstro em potencial, oculto apenas pelo medo da punição que levaria se mostrasse sua verdadeira face. Esse medo é o que chamamos de 'moral' e 'bom'."
Durante a narrativa iremos ter muita ação entre vários grupos que defendem ideais diferentes e isso faz com que a narrativa não fique lenta, sendo sempre permeada por novos acontecimentos.
A quantidade de personagens na história também é extensa, mas todos possuem um motivo para estarem na narrativa e são bem explorados quanto ao núcleo que fazem parte. Assim, o leitor não fica perdido na quantidade de informações disponíveis. 

As críticas sociais são pertinentes e nos levam à reflexões importantes. As pessoas estão dispostas a fazer qualquer coisa desde que isso lhe traga algum benefício pessoal, não importando quem elas estão deixando pelo caminho. E como sociedade ainda somos muito falhos, onde os anseios da minoria sempre são colocados atrás da maioria, tudo por conta de "quem tem mais".
"Você me ajudou a perceber que para criar, é preciso primeiro destruir. Um mundo ideal só é possível onde não há fraqueza ou medo, por isso esse mundo precisa acabar."
A natureza humana a cada dia se mostra mais suja, mais podre e até onde isso vai? Percy teve a sua real natureza exposta depois de acontecimentos trágicos, mas se aquilo já estava dentro dele, não seria ele sempre aquela pessoa, escondida atrás de uma criação que lhe fazia mostrar apenas o lado bom? São indagações como essa que nos dão um banho de interpelações e fazem esse enredo se tornar tão especial.

Com uma narrativa em terceira pessoa, mas o primeiro trecho dos capítulos sendo escrito em primeira pessoa, temos um enredo repleto de reviravoltas. O autor soube despertar no leitor o desejo de descobrir o que vem a seguir e é isto que cria uma atmosfera de vidração nas páginas. As revelações são compostas de elementos críveis, que causam a sensação de estarmos próximos ao que é narrado no livro.
"Uma vez dado poder a alguém, é só uma questão de ver até quando se começa a tomar as decisões erradas por orgulho ou preconceito e levar aqueles que o seguem para a própria ruína."
Alba nos apresenta um texto impactante. Misturando elementos de suspense, drama policial e cyberpunk, vamos embarcar em uma história onde as pessoas foram corrompidas. As máscaras que esconderam todos vão sendo retiradas pouco a pouco, e as crenças vão levar algumas pessoas a tomar decisões irreversíveis. Percy está disposto a mudar tudo e não se importa com quem tem que derrubar para isso. Depois que a maldade toma conta ainda existirá um resquício de humanidade?

Beijos da Lice

9 comentários

  1. Falou em drama policial e suspense eu já fico interessada kkk
    Ainda não li esse livro, mas a história já me deixou curiosa. Ah, sua resenha ficou ótima, parece mesmo ser um bom livro.

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  2. "As pessoas criavam ódio para tudo, fossem partes do corpo, cor de pele ou crença. Agiam como veneno, destruindo lentamente as funções vitais de uma sociedade até sobrar somente um corpo inerte e mecânico, sem propósito além de agredir qualquer alteração de uma rotina predefinida."

    Estranho, parece uma descrição dos tempos atuais, o ódio está estampado nas almas, é como Thomas Hobbes disse, "o homem é o lobo do homem."

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  3. Esse livro está demais, que história magnífica. Fiquei muito curioso para saber mais dessa trama na íntegra. Anotei a dica para uma leitura futura, pois fiquei muito interessado. Curto demais história que possuem reviravoltas em seu enredo, pois me prendem muito na narrativa.

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  4. oi!
    Eu adorei o livro :D a capa é linda, a escrita bem é ágil. Super recomendo o livro ;)

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  5. Parece bem interessante a leitura, a capa é incrível!! Gostei muito da resenha!!

    Beijos,

    www.purestyle.com.br

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  6. Já quero esse livro na minha estante para ontem! Pela sua resenha deu pra ver que a leitura deste livro é super interessante e que, embora seja uma ficção, se assemelha em muito com a nossa realidade atual.

    Beijos,
    FooDicas

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  7. Gente do céu, q livro mais interessante.
    Adorei a resenha e a pegada meio cyberpunk. E que bom que tem Japão! cyberpunk sem Japão não é cyberpunk, como nos ensinou Akira.
    A única coisa que me incomodou foi o nome Percy. Tá muito marcado na atualidade (é como alguém escrever algo novo e botar o nome de Potter ou Holmes). Mas me interessei d+.
    Parece um livro de tirar o fôlego.

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  8. Minha cunhada ama o Matheus Sperafico e essa semana estavamos falando sobre o "Alba", ja encaminhei sua resenha pra ela. Beijinhos

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  9. Oi, tudo bem? Gosto muito desse misto suspense x policial mas confesso que não conhecia o termo cyberpunk. Achei interessante a questão das pessoas deixarem suas máscaras caírem. Acredito que grande parte das pessoas usem por algum motivo, porém em algum momento é preciso deixá-las de lado e mostrar quem são de verdade. Se isso será bom ou não só o tempo dirá concorda? Um abraço, Érika =^.^=

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